Uma vez eu li em um livro que a maior angústia do homem
pós-moderno é a busca por respostas de perguntas que ás vezes nem existem. Acho
que essa foi uma das maiores verdades que eu já encontrei nos livros, a
paciência é artigo de luxo na pós-modernidade. Queremos tudo pra já, de uma
vez, sem pausa, o mais rápido possível, e mal sabemos que essa vontade do tudo
é responsável por esconder aquelas respostas, as soluções que estavam bem ali
embaixo do nosso nariz.
Quem nunca se apaixonou por uma pessoa dentro de um metrô,
fez planos, imaginou como seria uma vida a dois, pensou se os signos seriam
compatíveis, como seria a viagem de lua de mel, como seriam os filhos, e por
não saber a resposta de tudo isso acabou se divorciando na próxima estação?
Quem nunca jurou amor eterno a alguém que conheceu em menos de um mês? Ou
dormiu depois de chorar horas por um problema sem solução, e encontrou a saída
na manhã seguinte? Somos tão imediatistas!
Nós somos treinados para sermos maratonistas desde a primeira
infância, é preciso correr para pegar sua gangorra preferida do playground na
hora do recreio, depois de certo tempo, correr para ser um dos primeiros na
fila da merenda, correr dos valentões na hora da saída, correr atrás do seu
primeiro amor antes que aquela sua amiga loira de olhos verdes o pegue. E
quando se atinge a fase jovem? É preciso correr atrás do seu primeiro emprego,
correr para conseguir um bom lugar no ônibus. Quando se encontra os amigos a
resposta do “Como você está?” é sempre “aaah, to ai, na mesma correria de
sempre!”. Muitos correm como loucos, sem nem saber pra onde vão, só correm,
porque é o “certo” a se fazer, mas e você, já pensou em parar um pouco?
A verdade é que a inércia nos incomoda, porque parar requer
pensar, o que nos traz aquela batelada de questionamentos, e lá vamos nós correndo
de novo atrás de respostas. Entretanto, a verdade é que a ampulheta das
respostas não derrama sua areia no mesmo ritmo da ampulheta das perguntas, ela
sempre teima (talvez seja por charme) em se desmanchar devagar. E enquanto nós
observamos ela escorrer lentamente de um lado para o outro, acabamos
descobrindo que talvez nem seja isso que estamos buscando.
O futuro é grande demais para se decidir hoje o que você vai
fazer daqui a 20 anos, pois talvez daqui alguns anos o seu maior sonho pode se
tornar um plano pequeno e insignificante que quase não ocupa espaço no armário das
memórias. Então pare, pense e desacelere, quem corre demais pode não ver as
flores que estão pela estrada.