terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Desacelere




Uma vez eu li em um livro que a maior angústia do homem pós-moderno é a busca por respostas de perguntas que ás vezes nem existem. Acho que essa foi uma das maiores verdades que eu já encontrei nos livros, a paciência é artigo de luxo na pós-modernidade. Queremos tudo pra já, de uma vez, sem pausa, o mais rápido possível, e mal sabemos que essa vontade do tudo é responsável por esconder aquelas respostas, as soluções que estavam bem ali embaixo do nosso nariz.
Quem nunca se apaixonou por uma pessoa dentro de um metrô, fez planos, imaginou como seria uma vida a dois, pensou se os signos seriam compatíveis, como seria a viagem de lua de mel, como seriam os filhos, e por não saber a resposta de tudo isso acabou se divorciando na próxima estação? Quem nunca jurou amor eterno a alguém que conheceu em menos de um mês? Ou dormiu depois de chorar horas por um problema sem solução, e encontrou a saída na manhã seguinte? Somos tão imediatistas!
Nós somos treinados para sermos maratonistas desde a primeira infância, é preciso correr para pegar sua gangorra preferida do playground na hora do recreio, depois de certo tempo, correr para ser um dos primeiros na fila da merenda, correr dos valentões na hora da saída, correr atrás do seu primeiro amor antes que aquela sua amiga loira de olhos verdes o pegue. E quando se atinge a fase jovem? É preciso correr atrás do seu primeiro emprego, correr para conseguir um bom lugar no ônibus. Quando se encontra os amigos a resposta do “Como você está?” é sempre “aaah, to ai, na mesma correria de sempre!”. Muitos correm como loucos, sem nem saber pra onde vão, só correm, porque é o “certo” a se fazer, mas e você, já pensou em parar um pouco?
A verdade é que a inércia nos incomoda, porque parar requer pensar, o que nos traz aquela batelada de questionamentos, e lá vamos nós correndo de novo atrás de respostas. Entretanto, a verdade é que a ampulheta das respostas não derrama sua areia no mesmo ritmo da ampulheta das perguntas, ela sempre teima (talvez seja por charme) em se desmanchar devagar. E enquanto nós observamos ela escorrer lentamente de um lado para o outro, acabamos descobrindo que talvez nem seja isso que estamos buscando.
O futuro é grande demais para se decidir hoje o que você vai fazer daqui a 20 anos, pois talvez daqui alguns anos o seu maior sonho pode se tornar um plano pequeno e insignificante que quase não ocupa espaço no armário das memórias. Então pare, pense e desacelere, quem corre demais pode não ver as flores que estão pela estrada.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sou um quarto bagunçado

Se eu fosse me definir em algo tangível, eu diria que eu sou um quarto bagunçado. Meu interior é todo desorganizado, dentro de mim eu encontro sentimentos descartáveis jogados pelo chão, boas lembranças penduradas na cabeceira da cama (pode ser que eu precise usar elas mais uma vez), mágoas passadas amontoadas em um canto (eu prometi que tiraria elas de lá semana passada, 
mas...), sonhos jogados pelo chão, às vezes tropeço em alguns e acabo me machucando.

As realizações eu mantenho sempre em uma prateleira visível do lado dos passos errados, é preciso que elas estejam expostas em um local que eu possa ver bem, pois eu sempre preciso olhar pra elas quando eu penso em desistir, ou quando eu preciso tomar uma decisão precipitada. A preguiça eu guardo sempre no fundo do armário, mas não sei o que acontece, pois todo dia de manhã ela vai parar em cima da minha cama. A saudade fica embaixo do travesseiro, e ela sempre se manifesta durante aqueles minutinhos que eu espero o sono chegar. O Amor fica pendurado em um sininho que eu deixo em cima da janela, ele já caiu e quebrou algumas vezes por não suportar as ventanias, mas eu sempre consigo consertar e fazer com que ele pareça novinho em folha. Os medos estão embaixo da cama, guardados em caixas velhas, consegui me livrar de alguns em faxinas e mudanças que eu fiz, mas outros são tão grandes e obsoletos, que não servem pra reciclagem e lixeiro nenhum gostaria de carregar.

Eu preciso arrumar essa bagunça toda, organizar sentimentos por ordem de importância e chegada, mas deixa assim, semana que vem eu me organizo...

sábado, 15 de dezembro de 2012

Um ano novo é feito de ciclos



Lembro que uma vez li um poema do Drummond que falava sobre a genialidade de quem teve a ideia de dividir o ano em doze meses, pois é tempo suficiente para o sujeito se encher de esperança e se esvaziar novamente. Faz alguns anos que eu me desvencilhei desse sentimento de renovação durante os meses de dezembro e janeiro, passei a acreditar que a vida anda em ciclos e não em círculos ou linha reta como a maioria das pessoas pensa.
O ano do ciclo é diferente, ele não possui quatro estações onde cada uma tem a duração aproximada de quatro meses. No ano dos ciclos é possível viver uma primavera durante 365 dias quando se está apaixonado, ou ficar mergulhado em um rigoroso inverno cujo tempo de duração é o suficiente para que você aprenda uma nova lição e se restabeleça.
A passagem do ano novo nos ciclos não acontece religiosamente nos dias 31 de dezembro uma vez por ano. A passagem de um ano novo de ciclo só acontece quando você está preparado, é diferente dos anos comuns e ela pode acontecer várias vezes durante 365 dias, porque nunca é cedo ou tarde demais pra criar um novo começo.
Acreditar que tudo será diferente no ano seguinte é aprisionar seus sonhos em 365 dias, e qual é a graça em datar o dia em que você vai ser feliz? O futuro é grande demais para planejar o que vai acontecer no mês que vem. De que adianta criar uma nova rota se os ventos dos ciclos mudam e viram seu mapa de cabeça para baixo sem nem te perguntar, fazendo com que você siga um caminho totalmente avesso ao planejado.
O segredo para que sua lista de desejos de um ano novo se realize é aproveitar cada dia de forma única, pois como diria Mario Quintana “A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente nunca mais voltará”.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

#AprendinoRap

Aprendi que profetas não resolvem as mazelas do mundo, apenas diagnosticam problemas com o intuito de despertar a mudança dentro dos corações.
Aprendi que a vitória não é predestinada nem escolhe os mais favorecidos, mas sim quem trabalha sério e acredita.
Aprendi que muitas vezes uma simples música pode se tornar sua melhor conselheira, sua única esperança, sua melhor amiga.
Aprendi que o exército de pessoas que acreditam na causa vai muito além do que meus olhos podem ver, do que meu coração pode sentir.
Aprendi que algumas pessoas são medíocres demais a ponto de julgar as outras pelo gosto musical.
Aprendi que os verdadeiros heróis não são os que movem multidões, mas sim os que lutam diariamente nas ruas e guetos contra uma condição de vida sub-humana.
Aprendi que uma cultura de raiz firme e forte pode render flores e frutos maravilhosos.
Aprendi que grandes adversidades e obstáculos existem para separar os fracos dos fortes.
Aprendi que muitos dos meus irmãos não apresentam quaisquer laços genéticos.
Aprendi que muitas pessoas ouvem, algumas entendem, e poucas colocam em prática.
Aprendi que muitos usam a violência nunca vivênciada como combustível para florear rimas.
Aprendi que a moeda de troca valorizada por muitos é o status, algumas pessoas preferem ser a ter.
Aprendi que cada pessoa tem preço, que pode girar em torno de dinheiro ou valores.
Aprendi que grandes escolhas são para vida inteira.
Aprendi que trinta segundos pode ser muito tempo, pode transformar uma vida.
Aprendi que a partir do momento que se mostra sua primeira rima para alguém, ela não é mais sua.
Aprendi que papel, caneta e um microfone são armas nocivas para uma batalha.
Aprendi que nem sempre as pessoas que estão do seu lado estão lá pra ajudar.
Aprendi que o mundo é bem maior do que meu quarto, meu quintal, meu bairro. Aprendi que o mundo é meu.


                                              Thamyres Pedroso Aka Thamyzi

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

São Paulo: Caos,diversão e arte.

Viver na maior cidade do Brasil não é uma tarefa fácil. O paulistano tem o privilégio de conviver com grandes diversidades, movimento intenso, muita cultura e grandes oportunidades de emprego. Em contra partida, deve ter paciência para lidar com a violência, o transito caótico, desigualdades sociais e outros problemas comuns nas megalópoles.


Quando perguntado ao povo paulistano sobre o que eles mais detestam na cidade, a resposta violência e trânsito é unanimidade. Segundo pesquisas recentes, a populção diz que a violência é o que mais atormenta na capital e que diariamente se deve aprender a negociar com o medo. O trânsito também não fica atrás quando o assunto é queixas sobre a megalópole, os moradores dizem que ele é irritante, desumano e violento e reclamam também que o número de veículos nas ruas é excessivo, impedindo muitas vezes de se chegar ao destino em tempo hábil.
Muito se pergunta se as autoridades políticas estão preocupadas realmente com o bem estar e a qualidade de vida dos paulistanos. A cada ano que passa, viver em São Paulo está mais difícil e mais estressante. Algumas medidas devem ser tomadas urgentemente, antes que a cidade entre em um colapso irreversível.
Mesmo com tantas dificuldades apontadas sobre a cidade de São Paulo, muitos de seus moradores reconhecem ser difícil evitar totalmente esses problemas levando em consideração a extensão da cidade e o numero de habitantes, mas que mesmo assim acreditam que ainda falta uma maior ação por parte dos governos. Mas, mesmo com tudo isso, os moradores alegam que não abandonariam sua cidade para morar em qualquer outro local do Brasil, ou seja, a terra da garoa também possui seus encantos.
Apesar de todos os problemas enfrentados em São Paulo, a capital também é referência em vários assuntos ligados a cultura e arte.Totalmente multi-cultural a cidade oferece possibilidades que não são encontradas em nenhuma outra cidade do Brasil.
Ir a São Paulo NÃO é como uma visita ao cenário de um filme violento, a cidade é um dos maiores pólos artísticos e culturais do país e possui roteiros turísticos para todos os gostos.
A diversidade de São Paulo é que torna a cidade tão especial e atrativa. Quem mora na cidade reconhece os problemas sociais e de infra-estrutura, mas garante, com toda a certeza, que não trocaria essa rotina caótica por nenhuma outra cidade do Brasil. Só quem conhece São Paulo sabe como a cidade é especial.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

29º Oficina de música de Curitiba

Durante o verão, há exatos 29 anos a capital paranaense se torna um dos maiores centros da música em todo o país, os hotéis em Curitiba recebem pessoas de diversas localidades, que visitam a cidade com um único intuito: prestigiar a grande Oficina de Música em Curitiba.
A cidade de Curitiba é conhecida Brasil a fora por sua grande estrutura, organização  e os belos pontos turísticos, entretanto no mês de janeiro locais famosos da cidade como a Ópera de Arame, Rua das Flores, e Jardim Botânico são invadidos por grupos de chorinho, música instrumental brasileira, música eletrônica, blues e outras coisas que soam como verdadeiro presente aos nossos ouvidos. O objetivo do evento é realizar uma interação entre a cultura musical e a comunidade, criar uma oportunidade para que as crianças dêem início a uma vida de aprendizado musical, e fomentar uma interação entre a música curitibana com o resto do país e até mesmo do mundo. Pensando nisso a organização desenvolveu algumas atividades e apresentações que possibilitaram a criação de um elo entre a cultura e a população.
As atividades da Oficina de Música tiveram inicio no dia 9 de janeiro e chegarão ao fim no dia 29,quinze dias de atividades já se passaram, e quem participou do evento pode se deliciar com apresentações espetaculares como o maravilhoso show da Orquestra a base de corda junto do grande músico Zeca Baleiro.
As telonas da cinemateca também abriram espaço para música, exibindo diversos documentários feitos por amantes da primeira e sétima arte, que de alguma forma abordavam um tema referente ao universo musical. Destaque especial para o filme “CWBeats- a terra das batidas de ouro” produzido por Sonner Machado,que mostra como a cidade de Curitiba se tornou referência mundial  em relação a instrumentais para Rap,o sucesso do filme foi tanto que a sala da cinemateca ficou lotada, alguns expectadores tiveram que assistir o filme em pé ou até mesmo sentados no chão.
Curitiba possui uma vocação natural para ser um pólo formador de cultura, e isso faz dela uma cidade única, entretanto, os objetivos da 29º Oficina de Música não é apenas a realização de mais um evento cultural, e sim contribuir para o desenvolvimento musical e a formação de novos artistas.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Ano Velho

Pessoas conversando efusivamente na sala aguardando o relógio soar as doze badaladas
Crianças se animam com o clima festivo correm por ali apressadas
Um milhão de fichas de bons votos naquele minuto são depositadas
Só eu mesmo que continuo acreditando que não é um minuto que vai fazer minha vida transformada?

Chegou a hora do momento, é a contagem regressiva
Vejo que muitos estão felizes e por que só eu me sinto assim tão perdida?
Solitária entre a multidão como dizia naquele poema de Camões...
Por que será que o sentimento que no instante habita meu coração não habita outros corações?

Será que o fato de eu vestir branco no rito da passagem me trará no ano que vem algo melhor?
Engraçado sempre achei que conquistaria isso dedicando a minha causa muito sangue e suor
Comer 7 uvas,pular 7 ondas,vai realizar meus sonhos mais desejados?
Ou será que já em maio eu vou fazer parte da grande lista dos frustrados?

Que depositam toda sua esperança e desejos em um dia comum
Entre doze meses temos mais doze dias com a mesma data...dia um
Que quase não trazem sentimentos profundos de felicidade e renovação
Quem decide o momento de mudanças na vida não é o calendário que hoje até olho com reprovação...
Mas sim a ampulheta dos momentos que trabalha escorre minhas lembranças com determinação
Ditando a batida da vida ritmo a ser seguido pelo meu coração