segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sou um quarto bagunçado

Se eu fosse me definir em algo tangível, eu diria que eu sou um quarto bagunçado. Meu interior é todo desorganizado, dentro de mim eu encontro sentimentos descartáveis jogados pelo chão, boas lembranças penduradas na cabeceira da cama (pode ser que eu precise usar elas mais uma vez), mágoas passadas amontoadas em um canto (eu prometi que tiraria elas de lá semana passada, 
mas...), sonhos jogados pelo chão, às vezes tropeço em alguns e acabo me machucando.

As realizações eu mantenho sempre em uma prateleira visível do lado dos passos errados, é preciso que elas estejam expostas em um local que eu possa ver bem, pois eu sempre preciso olhar pra elas quando eu penso em desistir, ou quando eu preciso tomar uma decisão precipitada. A preguiça eu guardo sempre no fundo do armário, mas não sei o que acontece, pois todo dia de manhã ela vai parar em cima da minha cama. A saudade fica embaixo do travesseiro, e ela sempre se manifesta durante aqueles minutinhos que eu espero o sono chegar. O Amor fica pendurado em um sininho que eu deixo em cima da janela, ele já caiu e quebrou algumas vezes por não suportar as ventanias, mas eu sempre consigo consertar e fazer com que ele pareça novinho em folha. Os medos estão embaixo da cama, guardados em caixas velhas, consegui me livrar de alguns em faxinas e mudanças que eu fiz, mas outros são tão grandes e obsoletos, que não servem pra reciclagem e lixeiro nenhum gostaria de carregar.

Eu preciso arrumar essa bagunça toda, organizar sentimentos por ordem de importância e chegada, mas deixa assim, semana que vem eu me organizo...

sábado, 15 de dezembro de 2012

Um ano novo é feito de ciclos



Lembro que uma vez li um poema do Drummond que falava sobre a genialidade de quem teve a ideia de dividir o ano em doze meses, pois é tempo suficiente para o sujeito se encher de esperança e se esvaziar novamente. Faz alguns anos que eu me desvencilhei desse sentimento de renovação durante os meses de dezembro e janeiro, passei a acreditar que a vida anda em ciclos e não em círculos ou linha reta como a maioria das pessoas pensa.
O ano do ciclo é diferente, ele não possui quatro estações onde cada uma tem a duração aproximada de quatro meses. No ano dos ciclos é possível viver uma primavera durante 365 dias quando se está apaixonado, ou ficar mergulhado em um rigoroso inverno cujo tempo de duração é o suficiente para que você aprenda uma nova lição e se restabeleça.
A passagem do ano novo nos ciclos não acontece religiosamente nos dias 31 de dezembro uma vez por ano. A passagem de um ano novo de ciclo só acontece quando você está preparado, é diferente dos anos comuns e ela pode acontecer várias vezes durante 365 dias, porque nunca é cedo ou tarde demais pra criar um novo começo.
Acreditar que tudo será diferente no ano seguinte é aprisionar seus sonhos em 365 dias, e qual é a graça em datar o dia em que você vai ser feliz? O futuro é grande demais para planejar o que vai acontecer no mês que vem. De que adianta criar uma nova rota se os ventos dos ciclos mudam e viram seu mapa de cabeça para baixo sem nem te perguntar, fazendo com que você siga um caminho totalmente avesso ao planejado.
O segredo para que sua lista de desejos de um ano novo se realize é aproveitar cada dia de forma única, pois como diria Mario Quintana “A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente nunca mais voltará”.